Friday, May 26, 2006

O Rei do Poste

Eu ia para casa quando o vi, um pica-pau. Não era uma ave qualquer, um pardal, um bem-te-vi - era um pica-pau - e estava bem na esquina da minha casa.

Deveria ser reconhecido o papel do pica-pau na sociedade humana do sudeste brasileiro, o grande centro nervoso do sistema. Por ser uma ave ainda um pouco comum, e um tanto digna.

Cada vez que ouço seu tamborilar sobre um pau, é para mim uma melodia que ainda toca; você pode ter na sua casa um surround todo seu, e não vai ser um pica-pau tocando ingênuo como se despedindo da madrugada.

É uma ave viva olhando a manhã. Ele canta e observa, observa... olha ao redor e espera mais, ouvindo, escutando... Sem saber de nada, tamborila de novo, procurando comida... toctoctoctoctoctoc... Mal sabe ele que querem derrubar sua árvore; querem derrubar seu pau...

No dia seguinte, vão chamar de História o seu vermelho; vão chamar de Geografia o seu sumiço; vão chamar de ganha-pão o choro de quem se lembra...

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