Sexo, Drogas e Rock 'n Roll

Friday, June 26, 2009

Tudo de novo, do início

Cada sistema de pensamento é uma tentativa de dar um valor útil às palavras. Útil porque o mais verdadeiro possível. Os animais também se apegam a um tipo equivalente de utilidade, quando emitem sinais para se comunicarem. As palavras chave aqui podem ser economia e felicidade ou bem-estar. Podemos mudar as palavras chave, podemos mudar o sistema de pensamento, podemos mudar o sentido das palavras, nada nos impede disso. Mas é um fato, uma vez que pode ser medido, como alguns sistemas são mais eficientes que outros, como as pessoas vivem melhor, sentem-se melhor com certos conceitos que com outros. E quem dita esses conceitos? Quem os tem ditado?

- A religião, através de uma imposição de certos mitos.
- A mitologia, através da apresentação e do estudo dos mitos.
- A ciência, através de um método de correção de erros.

Comecemos pela ciência: a invenção do microscópio e do telescópio são talvez igualadas apenas pela invenção da linguagem e da matemática (invenção ou descoberta? Qual a diferença entre inventar o microscópio e descobrir que certas lentes dispostas de certa forma permitem o aumento da visão?). Invenções muito superiores ao avião ou à televisão. Essas duas mudaram nossas vidas, mas não mudaram a visão que temos de nós mesmos.

As formas de pensamento discutidas por Ernest Gellner (Pós-modernismo, Religião e Razão) são mutuamente excludentes porque incompletas. A não ser que analisemos a Razão corretamente. Nos termos de Gellner, Razão parece ser usado em relação à Ciência e ao Positivismo, ideal de progresso, e tudo que tem caracterizado o mundo Ocidental nos últimos seis séculos. No restante do mundo, seja na China ou entre os índios do Amazonas, Razão é aplicada para um conhecimento bífido: o mesmo homem que conta histórias morais para o seu filho constrói a casa da família. Não há fronteira entre a ciência e a filosofia, ética e moral. Todos os aspectos são analisados imparcialmente sob o que chamam de Mitologia. No Ocidente, a Ciência e a Filosofia estão separados, e é fácil (e tentador) para nós imaginarmos a Mitologia indígena ora como Religião, ora como Filosofia. Mas ela é, provavelmente, tudo isso mais Ciência.

À questão "o que é a verdade?", as três categorias de Gellner provavelmente dirão:
a) não há Verdade,
b) a Verdade é revelada por inspiração divina,
c) a Verdade existe como fato, realidade, encoberta por mil véus; a ciência, com o auxílio da filosofia, é um método de erguer véus, de eliminar erros que passariam despercebidos numa análise pouco minuciosa.

De volta ao microscópio.

Por que o microscópio seria uma invenção (ou descoberta) tão sensacional? Porque nos permitiu chegar onde não chegávamos antes, porque aumentou a Resolução da nossa imagem do mundo. Compare um mapa das Américas de 1510 com o Google Earth, antes uma parcela maior da Verdade permanecia encoberta, se compararmos com hoje. Conversando, sempre temos a possibilidade de aumentar a Resolução de nosso entendimento mútuo, e eu acredito ser este um bom ponto de partida para tentarmos entender o que seja a Verdade.

O mundo é toda a verdade que temos, e talvez toda que precisamos. Jamais saberemos ao certo se a Verdade é única ou se existem "erros na Matrix" - ou seja, se o universo é sujeito a erros, correções, mudanças factuais. O universo segue regras como uma máquina? Ou, como uma máquina mais elaborada, apresenta erros de arredondamento, comportamentos emergentes que jamais serão preditas por todas as regras que conhecermos?

A resposta para isso é que estamos nos afastando demais do que interessa. Os prédios dificilmente cairão de uma hora para outra, ainda que Newton seja incompleto. As pessoas dificilmente seriam convencidas a morar no campo apenas por não haver constância ou "Leis" no universo, por "tudo ser possível". Precisamos acreditar em tanta coisa, para tornar a vida viável, que a escolha de em que acreditar é muito mais importante do que cogitar se existe ou não 1 Verdade.

Partindo do pressuposto que o mundo é grande e lento o bastante para que nós possamos compreendê-lo (exatamente como uma pessoa pode sair da reta de um rinoceronte enfurecido, e pela mesma razão que a maioria das carapanãs escapa da nossa mão), qualquer motivo para negar conhecimento é não apenas fútil, mas pernicioso. O materialismo é admitir que a matéria é "morta" o bastante para que possamos prever seu comportamento. O resto é bastante possível, mas quando vidas humanas estão envolvidas, não é mais sensato analisar o que todos têm a dizer, mas com o objetivo de chegar a algum conhecimento? A um consenso?

Creio que um ótimo assunto para um cientista social seja o consenso. Onde ele existe? Como se chega nele? Quais os métodos que diferentes povos desenvolveram, e quais os conceitos que os diferentes grupos têm associados à idéia de consenso?

Em que nível o consenso é permitido? Talvez ele só seja possível até um número X de pessoas, e a partir daí sejam necessárias formas que substituam o consenso. Nascem os Impérios e seus exércitos, nascem as castas, nascem a democracia, o sufrágio universal e a propaganda.

Mas deve haver uma diferença entre um grupo que entende por que alcançou o consenso, que saberia explicar - ao menos homogeneamente - porque aquela saída é a melhor, e um que não entende. Não é questão de o entendimento do primeiro estar certo ou errado, é questão de seu entendimento de mundo ser comum, possibilitando a transparência, a honestidade, a harmonia que é talvez um pré-requisito do bem-estar que chamamos de felicidade.

Este povo estará disposto a entender um forasteiro, ouvirá suas idéias e tentará compreendê-las, e se houver tempo provavelmente um encontrará nos mitos do outro os seus próprios conceitos, e quantos conceitos irredutíveis há, senão aqueles enunciados por Gellner? Mais uma vez: Pós-modernismo, Religião e Razão?

Não existe regra racional para a certeza, para a Verdade, para a felicidade.
Existem regras emocionais. Quando a razão aprende a ouvir a intuição, a emoção, o inconsciente ou subconsciente, sem desprezar os métodos de maximizar a razão (ou seja, o método científico, a filosofia e os mitos) - a discussão deverá ser possível entre quaisquer dois seres humanos do planeta, assim como o consenso.

A biologia é o estudo das exceções

Estávamos sentados na areia clara olhando o horizonte verde da paisagem, uma garrafa de pinga passando de mão em mão, vendo as águas caudalosas do grande rio descendo à nossa frente. Um e outro se levantava e pulava no rio, voltando para outra dose, a conversa sem pressa...

Era domingo, ou podia ser sábado, não importava. A maioria de nós não tinha qualquer instrução formal, qualquer uma que pudesse ter alguma utilidade em suas vidas, provavelmente, e agora não lembro o porquê de ter pensado naquele momento "o que realmente importa?" Eu poderia ter uma garrafa do melhor uísque, ao invés desta bebida barata, e meu paladar se sentiria grato pela diferença, mas e quanto ao resto? Se não estivéssemos naquele local belíssimo, sem compromissos, sem grandes perspectivas nem preocupações, se estivéssemos sentados em uma sala confortável e climatizada ao redor de uma grande mesa da melhor madeira, rodeados por belas obras de arte apreciando a melhor das bebidas, tudo isso substituiria a divindade daquela areia que não fora criada, o azul do céu que não tinha nome?

Pensei sobre isso e cheguei à conclusão de que a "melhor" bebida é um processo de engarrafamento do belo, uma finitização do infinito. Pois não há paisagem, não há Natureza, que possa ser convertida em algo "nobre" sem a destruição de todos os momentos sagrados que ali teriam lugar algum dia.

- Mas o que é destruído? perguntaram.

- Isto! Respondi. Todos os lugares abertos e belos e ainda suficientemente limpos para nos sentirmos livres. Onde você não precisa pagar para entrar ou ficar atrás de uma cerca, ou ter que fazer uma carteirinha ou preencher um formulário e entrar numa fila, ou aturar de perto - a uma distância menor do que dita um certo instinto - outras pessoas falando e tendo suas intimidades, seu conforto.

O que está sendo destruído é o conforto dos pobres, ou antes o conforto de todos, para construir uma cara e falsa noção de conforto, que com a ajuda da propaganda faz um bando de macacos se matar e se enfurnar em escritórios para alcançá-la. A cidade destrói muito em nós. Olhem para vocês, olhem para mim. Vocês não conhecem prédios de apartamentos. Vocês não sabem o que é não ter acesso a um mergulho, ao silêncio, à escuridão. Não ter um espaço onde duas pessoas possam se amar escondidos e livres como dois animais. Somos doentes, frágeis, raquíticos, enquanto outros são obesos e carentes. Somos todos carentes como animais enjaulados, feios e sem viço quando comparados à expressão máxima daquilo que nossa estrutura é capaz. Os homens do norte são super-homens, comparados aos homensratos que vivem hospedados como um favor ao longo de avenidas impessoais de lâmpadas amarelas, onde castas andam a cem, cento e cinquenta por hora sem perceber que ali do lado os marginais param para observar as margaridas crescendo.





Qualidade

Aqui, deitado na noite que antecede a grande Singularidade, aguardo no escuro. Vou lembrando da noite de ontem, quando fui no Mistura Fina atrás de alguém. Encontrei-o lá mas conversamos pouco. Eu estava mais querendo observar, e também nunca sei como minha conversa será recebida por quem quer esconder - prazer e sexo entre homens. Diversão, felicidade, conversa. Conversa boa. Conversa de homem. Não esse papo feminino, falando sobre coisas, sobre pessoas. Essas conversas rodeadas por muros. "Não, dali não passo, daqui ninguém me tira." Papo que alguns homens também seguem, mas que não alimenta um tipo de espírito que eu observei em muito mais homens - com e sem instrução formal - que entre mulheres. Alguns dirão que eu não conversei com mulheres suficientes. Eu direi que o motivo que me levou a não conversar com mulheres suficientes foi exatamente este. Sua conversa é apoiada por crenças, não têm agilidade na formulação de perguntas e respostas, gastam muitas palavras para tentar se explicar, quando deveriam buscar se ater a um mínimo, tendem a esconder suas intenções e nem sempre conversam por amor ao conhecimento, à aventura intelectual simples e desinteressada. Vou repetir que há mulheres que são exatamente o contrário disso, e homens que são exatamente assim. Acontece que a biologia é o estudo das exceções.

Exceções?

Mais uma minoria. E quem tem medo de minorias? Quem? Você tem? De quem? De quais? De Quantas? Quem é você? Quem somos nós? A maioria das minorias não tem nome. A maioria das minorias já não deve nem existir mais.

Dominação. Império. Monoculturas.

Comércio, dinheiro, PIB. Pirâmides. Estátuas. Eternidade...

ah o homem e seu sonho pela eternidade. Não satisfeito em ser um ridículo grão de pó, e ainda assim um magnífico grão de pó, o homem quer nada mais nada menos que eternidade!

Mas o que é eterno? O universo parece começar no big-bang e continuar se expandindo e queimando até se apagar de todo, ou retornar ao tamanho inicial e talvez explodir de novo e talvez eternamente, quem sabe com que leis, com que tempo, com que ques. Quem sabe eternamente igual. E ainda que eternamente diferente, se é eterno, e irá se repetir eternamente, então infinitas vezes ele será idêntico em todos os detalhes como ele foi hoje e é sempre. A eternidade é uma armadilhaaranha, e nós somos a mosca em sua teia. E fora dela, quem pode vislumbrar o eterno oceano de espuma, onde todo o universo conhecido é só uma bolhinha? E que importa? Já sabemos que o mundo é infitito para cima e para baixo, resta-nos saber da melhor maneira possível o que está ao nosso redor. O que merece ser chamado de sagrado?

Mitologia, senhores e senhoras. O estudo dos mitos. A criação talvez de novos mitos, para curar o que a ganância dos faraós feriu.





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Em alguns países a homossexualidade ainda é crime:

No Egito, homossexual é preso.
No Iraque, é açoitado em praça pública.
No Irã, é enforcado.
No Afeganistão, é apedrejado até a morte.

Depois dizem que homossexualismo que é doença.
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Na Inglaterra o homossexualismo foi crime até 1967. No Vaticano, é dito que leva ao inferno, e tem muita gente na América Latina que acredita. As igrejas evangélicas por aqui arruinam qualquer chance de felicidade dos homossexuais. E isso tudo por quê? Ora, porque, matematicamente, estatisticamente, esses "curados" recalcados darão crianças com boas chances de serem crentes fiéis à igreja que ensina aquilo. Nas casas onde crescem, livros são vistos com desprezo, ciência e filosofia também. Os representantes atuais do Estado toleram tudo, pois é do voto de ignorantes que dependem. As famílias que têm algo a perder entram na onda aceitando a falsa paz que os impede de serem talvez nômades, batizam suas crianças e pedem a benção para seus matrimônios, colocam os filhos no catecismo, e os homossexuais continuam no escuro.

Até que... dez anos depois, o mundo mudou. As frentes do Ocidente avançaram, a crença religiosa deu lugar à descrença e ao niilismo. Jovens conservadores e ingênuos deram lugar a cínicos desapaixonados. Mas aqui e ali, numa esquina e num quarto de motel, alguém apaixonado vive ainda, alguém no meio do caminho, pedra para uns, esperança para outros, alguém que ama e obedece conforme sua própria moral, mas uma moral fluida, não volátil, nem sólida, condizente com a razão e a emoção, uma moral que busca ser equilibrada, que se admira e se espanta frente ao desconhecido, que não teme e quer sempre conhecer. Conhecimento pelo conhecimento, bondade pela bondade, prazer pelo prazer. Aqui e ali essas pessoas buscam se encontrar e ter voz, e à medida que os anos passam elas se encontram e não podemos dizer que as engrenagens estão paradas nem completamente enferrujadas, embora todos os dias esses manipuladores do mundo trabalhem duro para manter tudo como está, e outros ainda piores não querem nada menos que retornar à antiga confiança de que não seriam incomodados, não seriam destituídos, não seriam ultrapassados. Serão ultrapassados, mas por quem? E quem estará sentado à direita e à esquerda desses que tomarão a frente? Se soubéssemos, talvez estivéssemos fazendo outra coisa, talvez não. Cada um é cada um. E a maioria de cada época será julgada pela maioria da época seguinte (e pelas minorias de todas as épocas). Nós. Julgando por nossa própria experiência, por uma experiência livre e enriquecida por viveres proibidos, ou pela experiência de quem dita o que é proibido, o que é saudável, o que é belo. Ainda que hoje o caro seja feio, o suntuoso seja deselegante e o grande seja pequeno. Como, talvez, sempre foi, mas provavelmente nunca tão feio, tão deselegante e pequeno como hoje. Quem enxerga a inflexão da curva?








Dizer que não existe instinto é negar o sentimento de frustração do homem em uma distopia. Vivemos em uma distopia, por isso ninguém pode dizer que discorda. Você pode discordar politicamente, mas não fora do sistema político. Você pode discordar publicamente, mas não daquilo que o público concorda. "Calem-se as minorias, Deus está falando!"





Por todo o salão as cadeiras rodeavam o picadeiro, onde uma puta se apresentava por vez. A cerveja não era cara, e era gelada. O atendimento era bom, o ambiente era seguro, embora visitado pelos tipos mais bizarros. Um homem à minha esquerda se levantou e sentou-se ao meu lado, oferecendo-me uma bela pulseira de prata. Disse que não usava essas coisas, e nem tinha a quem dar. Ah, a objetividade, sempre abrindo portas. Ele insistiu que estava desempregado, liso, precisava faturar algum, etc, e eu perguntei com o que ele trabalhava, quando estava empregado. Em joalheria, ele disse. Perguntei se havia mais trabalho para quem mexia com jóias alguns anos atrás, quando o garimpo não era tão controlado como hoje, e foi uma pergunta boba, senti após tê-la feito. Estava na segunda garrafa. Ele virou os olhos e eu abaixei a cabeça e ri. Ele me mostrou a peça, apanhei-a nas mãos e olhei de perto. Uma corrente de elos achatados cinza-chumbo, uma peça central mais clara, tudo muito polido e sóbrio e belo. Devolvi-lhe e ele me pediu um gole. Chegou a estender a mão sobre meu copo de plástico, e em outra ocasião eu o teria deixado beber. Mas ali, preferi pagar-lhe uma garrafa. Interrompi seu braço com um movimento gentil e lhe disse. Se o homem estivesse de pé acredito que teria saltado. Seus olhos de repente brilharam e ele pareceu estar disposto a fazer qualquer coisa por mim naquela fração de segundo. Deu-me um abraço (as cadeiras eram próximas), cumprimentou-me e começou a desfiar seu rosário de agradecimentos e lisonjas. Não lembro o que disse, eu estava muito feliz. Ele terminou seus agradecimentos e disse que voltaria para a sua mesa. Eu achei aquilo tão maravilhoso, sincero e simples. Econômico seria a palavra errada, foi mais como uma máquina bem regulada, o óleo lubrificando os cilindros, os cilindros girando rápido...

...ou apenas na velocidade certa.





Para que realidade virtual quando podemos sonhar.

E por que não "para que realidade quando podemos sonhar"?

Porque a distopia não pode vencer. Ou, com o que sonharão aqueles que só conheceram mármore e amianto, concreto e asfalto? Só sonhamos com aquilo que existe, o que se perdeu já não ocupa mais nossos sonhos. E quando o sonho é pesadelo, as feras da antiguidade vêm tomar de volta um espaço da sua realidade que lhes foi tomado. E sempre que a Lua se põe eles descem do seu lado escuro para perturbar o inconsciente dos homens. E de tão imundo está o seu inconsciente que o homem tombará por fim a lua, para não mais ter medo de sonhar. Mas aí já não haverá com o que sonhar...






Todas as ciências se unem, então por que a biologia continua sendo sistematicamente ignorada pelos que manipulam mentiras cotidianas? Por que não liberam um pouco o picadeiro para que outros palhaços tenham vez? Afinal, todos queremos rir, e vocês já perderam a graça.

Saturday, June 13, 2009

Dizendo ao mundo que ainda estou vivo. Aqui do alto vemos o horizonte como deviam fazer os antigos defensores de alguma coisa. Escrever sob o pós-modernismo é algo torpe, pois nenhuma experiência é creditada. Tudo é possível e válido, tudo parece possível e válido, mesmo quando a ciência diz o contrário. Todos querem ter expressão, é o que manda agora a democracia, e por ser o governo tão corrupto ninguém quer ver alguém decidindo sobre o sentido do que quer que seja. Mentiras são ditas nos grandes jornais e revistas, na TV e rádios, e na maior parte de qualquer sistema de informação que se crie, seja no governo ou Internet.

Não estamos tão longe de Skynet como na minha infância, quando me sentia seguro no alto da goiabeira, observando os vertebrados do bairro, pulando entre o muro e o telhado para melhor compreender o que ainda restava da realidade. Hoje ninguém dá a mínima, nem governo, nem igreja, nem mídia. Estão todos muito ocupados ganhando dinheiro para poder pensar.

O que aconteceu?

1) Os recursos se tornaram escassos e todo mundo agora precisa batalhar mais para viver/

3) Ninguém sabe o que está acontecendo?

4) Deus está certo, mas não o Deus daquele outro ali

5) O povo foi ficando cada vez mais burro, embora com melhor tecnologia, ou justamente por causa disso.

6) As artes nos ameaçam - para representar uma comédia, talvez uma arte seja como a religião

7) A humanidade foi sendo enfraquecida aos poucos, com motores que substituem os músculos, veículos a motor que substituem o andar, celulares que poupam uma visita, a tv para sempre nos mostrar o que os governadores pensam, o elevador para subir e descer, a escada para um possível incêndio...

8) O que acontece, de fato?

Friday, June 12, 2009

Manual de religião - leia antes de usar

As pessoas devem ser enfraquecidas, seu vigor físico e intelectual, drenado. Devem ser doutrinadas a manter famílias estáveis, seguras, duráveis, para que crianças possam ser geradas, ainda que inseguras, ainda que seus porquês não possam ser respondidos, suas dúvidas iluminadas.

"Engula a pílula da felicidade e não pense demais."

Deve haver uma força superior insondável, insípida, fugidia, ou os barões precisariam estar sempre se explicando. Deus deve ser um mistério, e a filosofia deve ser abolida. Nossas mentes são limitadas: ou entendem a filosofia ou aceitam um simulacro, uma máscara, uma farsa com final feliz.

Saber perguntar é uma arte e uma ciência que leva décadas para cultivar. Mas se você joga veneno num cérebro em formação essa habilidade não se desenvolve. "Deus" é este veneno.

No politeísmo há espaço para várias interpretações. No monoteísmo não - só há um livro em cada região geográfica - e isso basta para dividi-las.

O monoteísmo é a monocultura do espírito. Um espírito acostumado à monocultura não se espanta em ver a beleza viva e a diversidade serem destruídas - para gerar mais crianças e ver realizados seus pequenos sonhos burgueses, sem nenhuma visão de comunidade, de "fisiologia da sociedade", muito menos múltipla e diversa como a espécie inteira. O Homo sapiens como um todo, e toda a vida - é isso que deve ser sagrado.

Um Deus único é uma invenção bem localizada no tempo e no espaço. Seu papel é dividir culturas e garantir que não se entendam mutuamente.

"Deus" é uma pequena caixa opaca que não deixa ver o que há fora, sejam estrelas, flores ou sentimentos. Mentira sobre mentira pintado de um falso branco da "paz". Mas a ignorância, o preconceito e a intolerância continuam - o que mais se pode dizer? - graças à idéia de Deus.



Para que mais crianças?

1) Porque precisamos de mais consumidores e mão-de-obra para as indústrias - isto é, para a nação?
ou 2) Porque a religião que exige crianças consegue ocupar cedo tais mentes inocentes, em maior quantidade; e quanto mais tenra, quanto mais nova a mente ocupada, maior a garantia de que o medo dominará essa mente agora aversa ao conhecimento da ciência, filosofia e história, ao menos até a idade reprodutiva, e provavelmente durante o período crucial da educação dos filhos. Um ciclo vicioso. Daí o batismo ser necessário para "salvar o bebê inocente do inferno" (que DEUS seria ESTE?)

Nascemos ignorantes. A campanha religiosa é tão intrincada e forte, tão falaciosa e escorregadia, que é preciso muito estudo e uma considerável força de vontade para nos vermos finalmente livres (embora ainda uma minoria).

"Deus" é uma muleta psicológica que apenas adiciona variáveis à equação do conhecimento, sem contribuir para resolvê-la - serve apenas para ocultar a verdade, tornando-nos um rebanho ignorante, por isso mais dócil e manipulável. As sociedades mais pobres e menos autodeterminadas são aquelas onde o monoteísmo entra com menos dificuldade. As nações dominantes no capitalismo também se tornam a cada dia menos cientes de fatos importantes da vida. A ignorância ronda ambos, ricos e pobres, crentes e descrentes. Há mitologias que podem nos ensinar o que falta, mas elas são muitas e estão espalhadas entre povos onde até agora não se tem procurado.

Fé - Eu tenho fé em que um dia deixaremos de usar muletas e deixaremos de aceitar que o ser humano deva ser fraco, medroso, ignorante, pequeno e mesquinho - porque não somos assim. Tornaram-nos assim culturalmente através de um longo processo histórico que não ensinam nas escolas, mas que podem ser encontrados nos livros - não na Bíblia ou no Corão, naturalmente - e até mesmo à nossa volta, nessas partes do mundo ainda menos afetadas pelo contágio.

O instinto da curiosidade está aí e renasce a cada geração. A mudança está mais próxima do que se imagina.





Ciência e religião

Ciência e religião não se misturam? Ótimo. Portanto, a religião nada tem a dizer sobre a vida, uma vez que existem ciências da vida. Nada tem a dizer sobre o aborto, pois o estudo da gravidez, dos sentimentos e necessidades da mulher grávida são parte dessas ciências, assim como o estudo das populações humanas, da demografia, das necessidades alimentares, do consumo e escassez de recursos, entre tantos outros. A religião nada tem a falar sobre sexo, pois aqui também a ciência tem muito a dizer.

Religião e ciência são métodos, e não precisam mesmo se misturar.

Aparentemente, religião vem da palavra religar, reunir-se, enxergar e presenciar o todo. A diferença maior parece ser que algumas religiões (justo as monoteístas) têm conceitos bastante peculiares, como culpa, pecado, salvação e medo. Outras (ateístas e politeístas) buscam anular o medo.

Enquanto há medo, podemos dizer que estamos "religados"? Ou o medo é um sinal evidente de isolamento e individualidade? Temer a "Deus" ou temer àqueles que falam como que "por procuração"? Alguém já ouviu Deus falar? Qual a diferença entre isso e a imaginação?

Os países e povos onde o monoteísmo domina a "opinião pública" não parecem ser os mais individualistas? De tão acostumados a adaptarem os fatos às teorias (e não o contrário), não são esses mesmos povos e países tão preparados, e talvez até ansiosos pelo advento do Apocalipse? Não é este o seu "final feliz"? Não é o que se anuncia a cada dia, como que para "preparar-nos ante o inevitável", enquanto apenas alguns poucos buscam efetivamente combatê-lo?



Espiritualidade

Eu faço parte do Cosmos, como o Cosmos faz parte de mim. Eu sou o Cosmos, o Cosmos vê e adquire consciência através de mim.

A minha vida afeta e é afetada pelas vidas dos outros. Amor é parte da natureza humana e não pode ser ensinado. Se alguém exorta os outros a amar, isso é amor ou obediência? É amor ou medo? "Amar, verbo intransitivo." Talvez respeito possa ser ensinado.

Respeito é discussão.

Discussão é deixar o espírito nu e questionar a verdade. Indagar e ser o mais honesto possível na resposta. Respeito é pensar no próximo e no longínquo. É não falar anonimamente, nem aceitar conclusões precipitadas. Deus É uma conclusão precipitada. Deus é apenas parte da resposta, jamais ela inteira. Deus e Alá não são o mesmo - suas "leis" (ditadas por pessoas falhas e tendenciosas) são diferentes. Shiva, Brama e Thor não são os mesmos, nem Apolo, Minerva, Júpiter, Afrodite ou Baco (nem ditam leis, apenas assopram sugestões. Mitologia, folclore, conhecimento).

Matou-se tantos deuses, pela glória de "um só", e não sabemos nem seus nomes.

"Um só Deus" = monocultura do espírito = criar pessoas para ocuparem caixotes de olhos fechados.

Matar faz parte da natureza humana; preservar a vida também.
Buscar conhecimento faz parte da natureza humana; a coragem e a covardia também.

Entender a natureza humana é respeitar-nos. Isso só pode ser alcançado pela discussão, honesto consigo e com os outros. Tapar tudo isso com "Deus" é tentar tapear-nos. Chega de tapeação. Monoteísmo, seu tempo na Terra acabou.



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(pensamentos desfiados)


discussão = busca da verdade = paraíso
(idéia retirada de "Os Versos Satânicos" - livro esclarecedor que garantiu a seu autor a pena de morte em um certo país monoteísta)

Buscar a verdade é o paraíso. Mas o que é a verdade? Qual verdade? Que temos chamado de verdade?
A verdade física, o mundo em si? (Conceito proposto por Aristóteles, ao qual nada mais temos a acrescentar.)
Ou a "verdade de cada um", o oceano de mentes e pontos de vista, vasto e inescrutável oceano não de fatos nem de verdades, mas de interpretações parciais que, somadas, constituem o melhor que podemos fazer em direção ao conhecimento.

Acreditar é fugir da arena da razão, da trilha do conhecimento. Um povo sem conhecimento é como o gado na fila do abate - não tem alternativa, não tem escolha - não tem opinião.

Onde chegamos, quando estabelecemos como teto uma "verdade" tão parcial e simplória quanto um Vertebrado Gasoso?



Se você é crente, considere-se vítima da sua igreja. A verdadeira espiritualidade se sente, se sabe - não se "acredita". Entre acreditar e não acreditar, é melhor saber ou esperar.

Monoteístas são ateus para todas as outras divindades já inventadas.

Monoteístas são vítimas deste tipo peculiar: que defende seu algoz.

Acreditar em fantasmas não é problema - problema é acreditar/valorizar mais os fantasmas do que a realidade. E trazer, por ignorância, mil preconceitos atrelados a esses fantasmas. E fugir sempre da discussão. Se os seus velhos são assim, não permita que seu vício seja transmitido às crianças, a não ser que deseje ver o milenar ciclo vicioso da prisão do espírito se perpetuar...

Tuesday, May 12, 2009

Ligação cotidiana

Oi mãe, como vai? Estou ligando para dizer que estou fingindo que está tudo bem. Todos os dias eu finjo que não há problema algum, mentir para mim mesmo e para os outros deve nos tornar mais fortes. Finjo que as pessoas sabem a diversidade que há na natureza e em nós, que não confundem dogma com moral, ou tradição com bom senso. É preciso fingir. Ontem não fingi, e discuti com uma dona que segue o Levítico, da Bíblia, afirmando que o homossexualismo é errado, monstruoso, um desvio da palavra divina. Já ela finge não ter lido as outras palavras desse mesmo livro, que nos mandariam matar a pedradas aqueles que se comunicam com espíritos, isso se não fingíssemos que somos coerentes. Todos os dias é preciso fingir. Finjo que os chineses não são melhores do que nós, com sua filosofia de vida centrada na própria vida (e não na morte); também finjo que os indianos não são melhores do que nós, com sua assembléia democrática de múltiplas divindades, mais difícil de ser manipulada por qualquer igreja. Outro dia fingia que não aprendi nada com nossos aborígenes amazônidas, que tratam todo seu conhecimento como mitologia, e são assim mais ávidos por aprender. É preciso fingir. Finjo a todo momento que as pessoas à minha volta se maravilham com o próprio mundo onde vivem, e por isso não precisam inventar deuses e espíritos para terem com o que se maravilhar. Finjo que está tudo bem, e que os únicos fatos dignos de nota são o que eu comi hoje, com quem conversei, o que fiz no trabalho. Finjo que a rádio da padaria não disse que o homem foi feito para a mulher e vice-versa, finjo que não está escrito no livro mais vendido do mundo que um deus qualquer criou primeiro o homem e todos os animais, e só então fez a mulher. Finjo que as pessoas conhecem o mínimo de ciência para se satisfazerem com a explicação natural das coisas, que envolve populações, fenômenos genéticos e ecológicos, evolução. Finjo que meus contemporâneos são sábios e curiosos, que trazem consigo coragem e lucidez. Finjo que os homossexuais todos são livres e orgulhosos de serem como são, e que jamais faltariam com a verdade ou perderiam a oportunidade de conhecerem alguém apenas por terem que provar aos demais algo que nunca foram nem serão. Mas é preciso fingir. Fingi também, e com uma freqüência aterradora, que às crianças está sendo ensinado o melhor que temos, e que ninguém conta mentiras a uma mente em formação apenas por diversão e graça. Finjo que as pessoas têm interesse em aprender algo novo a cada dia, e que sabem analisar com isenção quando um pensamento completamente novo é apresentado a elas. Finjo que as pessoas não são covardes e tradicionalistas, que não levam uma vida inteira se baseando em falsas esperanças, que exigem o mínimo de provas ou de sensatez antes de acreditarem em algo. Finjo, fingi, fingirei. Então, finjo que estou bem, finjo que a vida vai bem, apesar de tudo. Só liguei para isso, para você fingir que acredita em tanto fingimento.

Thursday, November 20, 2008

Solidão e despedida

A vida não faz sentido algum, e eu ando perdendo o dom das palavras, se é que um dia já o tive. De outra forma, creio que me entenderiam. Mas as pessoas não estão interessadas em entender coisa alguma. Acreditam que devem se especializar, um construtor deve construir, um vendedor deve vender, um professor deve professar. Só aos entendedores seria cabido entender. Aos demais, o consolo do auto-engano, a felicidade da hipocrisia, a conveniência do silêncio.

Numa nação abençoada por deus, nada se entende. O ser humano é concebido como fórmula matemática, deus nos faz à sua imagem e semelhança, logo somos imagem e semelhança de outrém, não de nós mesmos. A diversidade é anulada pela ambição da perfeição, e assim a própria perfeição é perdida. A natureza humana é incendiada pelo dogma religioso, os prazeres são convertidos em pecado, a descoberta do corpo é transformada em constrangimento, a verdade dos fatos da vida convertida em máscara.

Um amigo escreveu à turma que iria se casar. Perguntei-lhe, de gozação, quem seria o felizardo ou felizarda. Ignorou-me. Isso uma década depois que eu contei a esse mesmo grupo sobre a minha homossexualidade. A primeira reação na época me causou espanto: todos se alegraram, me abraçaram e festejaram. Anos depois, descobri que vários desse mesmo grupo também eram homossexuais, e nenhum deles achou conveniente se revelar da mesma maneira. Minas Gerais é um celeiro de preconceitos. Vive-se a vida de forma a acreditar que não existem males, que não há homossexuais nem nada que fuja ao padrão. Nas ruas e histórias da minha infância, os únicos homossexuais eram as bichas ridículas e caricatas dos programas de TV, na rua ninguém. Durante toda a juventude me senti um peixe fora d'água, um pária, um monstro, uma degeneração. Os pais sempre sabem, é o que dizem, e os meus mantiveram o mais profundo silêncio. Sofri sozinho, temeroso da conseqüência caso me descobrissem. E o homossexualismo é inevitável, não é uma escolha, nem sem-vergonhice, nem provocação - é um instinto, como gostar de mulher, só que gosta-se de homem. E não há explicação para o gostar. Gosta-se, ponto. Só perto dos dezoito anos comecei a enxergar que não era o único, mas a única maneira de se conhecer alguém era dentro dos guetos. Hoje a situação está um pouco melhor, tolera-se um pouco a diversidade, o que não significa ainda que a entendam, ou que gostem. Lembre-se, ninguém quer entender coisa alguma.

Ia sozinho às boates gays, atrás de caras que me entendessem, atrás de alguém que eu pudesse amar, e que pudesse me retribuir minha humanidade. Ia só, pois meus amigos se consideravam muito machos para me fazer companhia em tais lugares. Eu mesmo nunca gostei de nada ali dentro, a música ruim e barulhenta dificulta a conversação, o ambiente escuro onde não se distingue bem beleza, simpatia ou os olhares certos; a fumaça, o cheiro de cigarro; pessoas vazias. Mas eu ia a cada dois meses, em média, por uma necessidade fisiológica, até, mas nem sempre ficava com alguém. Os melhores exemplares gays da espécie estão muito ocupados satisfazendo a máscara que suas famílias exigem.

Um dia tirei o maior peso dos meus ombros contando à minha família. A maioria dos gays dizem que trata-se de um detalhe muito particular da sua vida, que sua família não precisa saber, etc. Mas os pais sempre sabem, é o que se diz por aí, e se fosse mesmo um detalhe ninguém faria um alarde muito grande no casamento, é o que penso. Logo, não é detalhe algum, e acaso todos soubessem e tivessem liberdade para lidar com a situação, os gays não precisariam se esconder em armários e hospícios, nem eu precisaria ter vivido a vida como se tivesse matado alguém, nem teria tanta dificuldade em conhecer uma pessoa realmente interessante. Meus pais me disseram que não havia problema algum, como se fosse do ombro deles que houvesse sido retirado um grande peso. Sabiam, mas não falavam nada. Esperavam para ver no que ia dar. Nenhum apoio por anos, apenas o medo de que fosse verdade, como se o homossexualismo fosse como uma lepra incurável, uma desgraça moral, assassinato; pior, genocídio. Já ouvi muito pai dizer que prefere filho ladrão a viado; bom, este é o nosso país, abençoado por deus, racista e homofóbico por razões que ainda desconheço. (Pensando bem, é difícil imaginar que a homofobia não tenha raízes religiosas, mas essa discussão está muito além do que a maioria das pessoas tolera.)

Então meus pais descobriram no mesmo dia em que contei a primos, primas, tios e tias. Várias pessoas disseram-me que não deveria ter agido assim, coitado do meu pai, passar uma vergonha dessas perante toda a família. Ele, que sempre fora tão machão, tão mulherengo quando jovem. Quer saber, pai? Eu também arregacei muitos cus por aí, mas não espero que isso chegue a te orgulhar. Também dei o meu cu, mas dói, não gostei. Um cara precisa ser muito macho para dar o cu. Fossem respeitados por essa virilidade extra, não precisariam ter apenas amigas, e talvez não se tornassem essas bichas afeminadas que fecham um círculo vicioso, causando com sua feminilidade o preconceito que isola as novas gerações de gays do contato masculino, tornando-as novamente afeminadas, retroalimentando o preconceito. Mas a quem isso interessa? Somos, novamente, uma nação cristã, e apesar de Cristo aparentemente ter dito todas aquelas coisas sobre a primeira pedra, não disse explicitamente que devemos saber desde cedo a orientação sexual de nossas crianças, para ajudá-las a desenvolverem-se num caminho seguro e sensato, ao invés de terem que descobrir a vida dentro dos piores e mais fétidos antros que já se criou.

Quando fiz a piadinha ao meu ex-amigo, perguntando com qual gênero viria a se casar, seu silêncio me constrangeu como nada antes, acredito. Ora, ele era desses que festejaram quando saí do armário, me cumprimentou com um caloroso abraço, feliz com minha honestidade, minha segurança, meu desprendimento, minha coragem em enfrentar a vida. Acreditei que não havia aí mais nenhum preconceito. Mas como quase tudo na vida, enganei-me outra vez. É assim: os heterossexuais podem fazer piadas de viado, mas quando um viado faz essa mesma piada com alguém supostamente heterossexual, a festa acaba. Bem, vivo e aprendo a cada dia. Aprendi que a religião impede as pessoas de pensar, as proíbe de terem pensamentos próprios, como se o próprio deus estivesse em cada fresta dos neurônios vigiando tudo. Ou apenas perde-se um tempo tão considerável com novelas, jornais mentirosos, trânsito, um trabalho enfadonho e sem sentido, livros de auto-ajuda atrás de livros de auto-ajuda, que não se aprende nada. Gosto da minha família, mas é preciso dizer: trata-se de um bando de ignorantes. Aprenderam algumas coisas na vida, várias coisas, mas toque o nervo exposto, o fio solto em seu raciocínio obtuso, e verá como fogem. Tenho muitos homossexuais na minha família, mas todos fingem que não, chamam o homossexualismo de imoral nas minhas costas, e depois vêm me cumprimentar com um sorriso no rosto. Imagino se não lavam as mãos em seguida, às escondidas.

A vida após a morte é o pior de todos os mitos. Cria a convicção de que teremos inúmeras tentativas, chances para sermos diferentes, já que esta vida tem horas que é uma merda. Mas o pior é que, confiando em outra vida, fazemos tudo de errado nesta, e ainda criamos crianças covardes, ingênuas e crentes, fracas frente à verdade, incapazes de questionar as coisas de frente, incapazes de ousar desafiar o que está posto. Ou seja, a preguiça mental dos adultos torna as crianças preguiçosas. Outro círculo vicioso. E as pessoas querem ter o seu direito de acreditar, e exigem que sua crença não seja desafiada, questionada ou criticada. Temos direito à liberdade de expressão, mas não espero que esse direito se estenda ao racismo, à intolerância, à opressão. Porém, enquanto a religião é respeitada, jamais sairemos dessa trilha. Acreditava que minha irmã tivesse um senso moral um pouco mais claro; afinal, foi ela quem primeiro me incutiu dúvidas a respeito da existência desse deus que aí está. Casou-se agora na igreja. Meu irmão, para mim, foi surpresa ainda mais desagradável. Sempre teve as idéias emparelhadas às minhas, sempre foi ciente de todos os meus questionamentos, de toda injustiça e falta de senso desse sistema, e agora que teve um filho, correu a batizá-lo na igreja mais próxima. Não percebem o que estão fazendo? Não enxergam que dão munição ao mesmo sistema que nos transforma em bife? Bife, sim, pois ao homossexual não é permitido amar; quem já era diferente desde o início descobre-se ainda exposto e vigiado, odiado e temido, solitário e em débito. Como se tivesse matado alguém. Como se tivesse estripado gerações dos mais nobres e honoráveis sábios. Neste reino do terror, meu pecado é seguir o que amo e não desejar mal a ninguém. Mas não consigo mais. Desejaram-me, com seu silêncio, com sua ausência, com seu desinteresse, todo o mal que pude suportar. Agora não quero mais. Não quero mais nem seu bem nem seu mal. Não quero mais nem seu silêncio nem suas palavras. Não quero mais seu desinteresse ou interesse, seu consolo ou desconsolo. Nada. Que se fodam.

Agora com o cursor piscando no fundo branco da tela, não sei mais o que dizer. Sei que voltarei a Belo Horizonte um dia, e terei o mesmo silêncio constrangido, o não saber falar da parte deles, ou não querer falar sobre o que sou, sobre como sou, sobre mim, sobre minha vida. Eu tomei o primeiro passo, o segundo e o terceiro. Não quero mais andar sozinho. Engraçado que as pessoas adoram falar sobre a vida umas das outras, mas no meu caso o melhor caminho sempre foi o silêncio. Nasci e cresci assim, e agora que aprendi a ser só, acabei gostando. Tem hora que dói, hora que cansa, mas estou bem treinado. Vou passar uns anos sem ir ver minha família, acho que é a melhor maneira de mostrar que certas coisas, ou não as aceitamos, ou as aceitamos incondicionalmente. Não tem sido seu caso, embora rezem todos os dias aos seus deuses. Não sei o que pedem. O que sei é que, se dissessem o que pensam, se falassem a verdade uns com os outros, ao invés de guardar a verdade mais profunda para as divindades, teriam chances muito melhores de conseguirem o que querem. Mas, quem sou eu para dar conselhos? Já sabem toda a verdade, ou acham ou fingem que sabem. E não aceitam argumentos de alguém mais novo, nunca aceitaram, creio que nunca aceitarão. Não comentam, não discutem, as idéias para eles são ídolos pétreos que se deve cultuar, não argila moldável que fazemos crescer e damos forma em sociedade. Pois bem, que assim seja. Sem mais idéias, pois.

Thursday, October 23, 2008

A instituição das liberdades individuais

Por muito, muito tempo, o homem foi pré-história. O período no qual foram moldados nossos instintos, nossas reações mais básicas e espontâneas, é esmagadoramente maior que o tempo histórico, no qual moldamos a atual cultura e tudo aquilo que hoje parece destoar do instinto. Vejamos o caso das liberdades individuais.

Em toda a história evolutiva da humanidade, muito provavelmente desde os primeiros primatas (60 milhões de anos?) e até antes, o conceito do bando foi necessariamente superior ao do indivíduo. Superior no sentido de ativar instintos mais fortes em sua defesa. Afinal, o que seria de alguém sem os outros? A socialidade, presente há tanto tempo em nossa linhagem animal, só poderia moldar boa parte, e possivelmente a maior parte do nosso comportamento. Com isso em mente, o que podemos dizer acerca das liberdades individuais?

O maior problema com esse conceito é que ele esconde o seu oposto (como faz, aliás, a maioria dos conceitos). Neste caso, as liberdades coletivas, harmonia ou homeostase social. Não é possível aumentar indefinidamente a liberdade dos indivíduos sem perder essa harmonia, o equilíbrio do grupo. Nisso baseiam-se as leis e o Estado de direito. Pagamos ao Estado para que este nos proteja das tentativas ilegais de "liberdade" dos outros. E quais exemplos temos hoje de liberdade individual restringindo a liberdade coletiva?

No trânsito, por exemplo, quando as pessoas têm a liberdade de terem vários carros na mesma casa, e dirigirem sozinhas no interior dos mesmos, ou terem carros grandes e poluidores sem necessidade, ou melhor, como símbolo de status. As liberdades individuais aqui congestionam o trânsito, aumentam a poluição do ar e sonora, perturbam nosso humor e contribuem para o aquecimento global.

No uso da terra, as liberdades individuais têm permitido que poucas famílias mantenham hereditariamente grandes propriedades nem sempre produtivas, enquanto outras numerosas famílias foram e são obrigadas a se mudarem para as cidades (o fenômeno recente e em escala mundial chamado êxodo rural), inchando ainda mais os centros urbanos, justamente em sua porção mais frágil - as periferias.

Na economia, as liberdades individuais têm permitido a concentração absurda do capital, geradora de toda a crise em que vivemos, a maioria das pessoas sem consciência alguma sobre como poderia ser "um outro mundo possível". A liberdade irrestrita sobre o porte de armas contribui muito para a violência urbana.

Em nome da liberdade religiosa permite-se que igrejas acumulem fortunas fabulosas e mantenham o povo na mais profunda, abjeta e miserável alienação. Em nome da liberdade de expressão, candidatos mentem descaradamente em campanha, sem que nenhuma instância reguladora opine.

Em nome da liberdade comercial, emissoras de rádio e TV produzem e disseminam produtos de péssima qualidade, em horários impróprios, que incitam o consumismo e massificam ainda mais a população. Na guerra pela audiência, metade das rádios toca "hits", e a outra metade, "programas de crentes". Onde há cinemas, a maioria das salas repetem os mesmos blockbusters estadunidenses (sempre com a bandeirinha lá, em alguma cena. Isso me lembra o conceito de livre comércio adotado pelo governo dos EUA: liberdade para os nossos produtos, não para os dos outros).

Desde a Revolução Francesa o projeto ocidental de sociedade tem defendido - creio que sem medidas - as liberdades individuais, e nenhuma visão poderia ser mais cara às elites do Brasil e do mundo (sejam financeiras ou intelectuais). Mas a gestão de uma nação, o governo de um povo, a administração de um território exigem bem mais que esse laissez-faire global, embora muitos sequer enxerguem o tipo de túmulo socioambiental que estamos cavando com os próprios pés. A gestão do coletivo exige controle sobre as liberdades individuais; um controle que pode, ao menos na teoria, ser um controle democrático e legal, mas ainda assim, um controle. (Digo "ao menos na teoria" porque no ocidente este controle já evaporou faz tempo.) Comparado ao atual modelo industrial, capitalista, neo-liberal e insustentável, eu diria que as liberdades individuais já estão demais (para a minoria abastada), e para o povo, como diria aquela rainha louca, estão acabando até os brioches...

Monday, October 20, 2008

O que é remédio e o que é veneno?

A tabela periódica deve ser uma das maiores descobertas humanas. O que os químicos já fizeram a partir dela está longe, muito longe do que ainda podem fazer. E o que vale para os átomos vale, aqui também, para as moléculas. A bioquímica, em particular, e a indústria farmacêutica, em mais particular ainda, são áreas da ciência e da economia já muito bem estabelecidas. Só essa indústria, sozinha, gira no mundo valores da casa dos trilhões de dólares, e não pára de crescer. Novas tecnologias não param de surgir seguindo o carrilhão desenvolvimentista ocidental. Aqui, só o que conta é o lucro. A economia conseguiu, por hora, tornar-se independente do comando das nações. Logo, venda-se medicamentos! entre tudo o mais.

O curioso é que perdeu-se, com tanto avanço, a noção da própria saúde. Sabe-se que refrigerantes fazem mal, mas não se deixa de consumi-lo. O mundo desenvolvido é um mundo de obesos. Sabem que terão o remédio, a cirurgia ou, na pior das hipóteses, outra vida novinha em folha, outra chance, do outro lado do túmulo.

O mal que essa visão causa à Terra, às multidões do mundo! Pois consome-se, consome-se ainda mais, muito mesmo, até secar do outro lado. E claro que lá estão, as bocas famintas e negras, ou famintas e brancas, ou famintas e amarelas, e secas, enjilhadas, sem dentes. E os remédios? Consumidos como nunca. Abra os espelhos íntimos sobre suas pias e espantem-se ante os frascos, caixas e pomadas; loções, comprimidos, oléos, perfumes e curativos. Vá até o outro lado do mundo, o lado "seco" e verá como os corpos cuidam de si, muitas vezes com mais saúde (isso onde o ambiente não é desértico, e onde as populações não se matam nas guerras civis alimentadas pelos senhores da guerra internacional).

MAIS saúde? -- Eles não acreditarão nisso, nem se darão ao trabalho de investigar; eles, com seus frascos e caixas atrás do espelho. Continuarão COMPRANDO remédios para qualquer tosse.

Que seja. Mas esses remédios têm em geral efeitos colaterais nem sempre razoáveis. Associados aos hábitos sedentários da maioria, imagine o estado físico de nações inteiras! Esses indivíduos têm grande facilidade em serem pacientes de médicos estilo "linha de montagem", que raramente apalpam o corpo em estudo ou solicitam exames. Três minutos de perguntas diretas e remédio; é geralmente tudo o que temos.

E neste cenário surge a homeopatia. Não interessa ainda como funciona, uma vez que funcione. Mas se o placebo funciona - (placebo é uma dose inócua, geralmente feita de farinha, ministrada como controle no lugar de um novo medicamento sendo testado) - então tudo o mais funcionará.

Boa parte dos males que levam as pessoas a procurarem médicos são curados pelo placebo. São, no jargão da área, doenças psicossomáticas, ou seja, causadas pelo próprio doente. Ou são doenças comuns, perfeitamente auto-curáveis. Ou seja, o corpo humano reage à doença, fazendo exatamente aquilo que o sistema imune se especializou em fazer: reagir. Basta que se acredite numa cura, que se trabalhe e coma, que se durma e descanse, que se sorria e ame, e o corpo fará o que precisa. Quase sempre faz. Mas as pessoas não têm paciência em esperar, não sabem de nada disso, ou acham que devem tomar um remédio para "voltar logo ao trabalho", ou qualquer dessas desculpas esfarrapadas e sem sentido tão típicas da modernidade.

O que é remédio e o que é veneno?

Nossa ciência e nossa indústria estão bem avançados, até, mas nosso conhecimento sobre o que, de fato, cura, e sobre o que seja saúde, e sobre o que apenas enriquece um sistema já trilionário - este conhecimento é que retrocede dia após dia, morto em silêncio no seio das comunidades tradicionais, na memória dos velhos esquecidos, esmagados pelo crescimento do que ainda chamamos "civilização".

E quando a vida não é alegre?

E quando não é a vida alegre? Aí, deve tratar-se de um revés temporário, ainda que longo. Será muito rara uma existência só de dor, e melhor se preferir perecer. Mas a alegria e a dor sempre se alternam. Temos o tempo da vida para investir no aprendizado (para alguns, uma dor) ou trabalho, e finalmente ambos, para colher o quanto antes mais alegria e menos dor. Para isso temos a razão, essa ferramenta recente na história evolutiva, e por isso mesmo tão imperfeita. Compare nossos julgamentos com o vôo das lavadeiras, ou com o esférico coaxar dos sapos. Como brilha a sua pele, alguns são mais brilhantes que o ouro. E a razão é ainda insuficiente para tornar justo tudo isso. Mas, se a fé existe, se a fé ainda faz questão de continuar existindo, eu então acredito que a união das razões humanas, ouvirmos a voz uns dos outros, nunca esteve tão fácil. Mas e analisar o discurso? Entendemo-nos. Será? Pelo menos, nunca existiu uma ferramenta tão democrática quanto a Internet, que a baixo custo amplia tanto nossos horizontes. Nunca foi tão fácil transformar uma idéia em cor, em um mapa, gráfico ou tabela que mostre um ponto de vista do outro lado do mundo no mesmo instante! Ou apenas... que mostre. E não apenas assista. Pelo nosso potencial em mudar o mundo para melhor, a cada um conforme sua necessidade, de cada um conforme sua capacidade. A tristeza é um luxo vil num mundo de outra forma alegre e receptivo.
Seja útil com o que tem.

Em algum lugar

Os homens em geral querem estar onde há mulheres; as mulheres também, exceto quando perdidamente apaixonadas, adoram conversar entre outras mulheres. Apenas eu, e alguns que de alguma forma comigo se assemelham, preferimos os lugares onde as mulheres não estão. E de que gêneros são esses lugares, esses templos de Adônis? Locais ermos, de difícil acesso, como o mar e o espaço. Não que não sejam também navegados por valorosas fêmeas; apenas que não é comum encontrarmos mulheres distraídas, solitárias e desocupadas à beira de tais paisagens. Bordas de precipícios, colinas íngremes, topos de árvores e morros. Ou então a mata, o meião, lá no centro, onde o filho chora e a mãe não escuta, onde estamos na beira do abandono, fácil perder-se, você olhando o mundo físico e biótico - tudo que não é humano - como nunca viu tão de perto. Deixa de ser uma vitrine para se tornar seu continente, Ligado à Terra. A Terra, Gaia, minha Deusa, como não deixo de adorar o Deus-Sol, e todas as estrelas, que podem também ser, e muito provavelmente o são, deuses de outros povos. Louvo hinos às orquídeas e aos papagaios, às musáceas, constelações e botos, ariranhas e peixes-bois. Toda criatura que por si existe tendo vindo de um longo e interligado processo de cópia, cego, aleatório e, no entanto, criativo. Seleção natural. Crença, para os que não entendem. Todos nós, filhos do vento... Ha, ha, ha - que alegria viver!

Monday, October 13, 2008

sociedade = humanidade

Então, parece que ainda tem dessas pessoas que têm numa coisa meio incompreensível, muito complexa, que ninguém ousaria dizer que entende. A pessoa de fé sabe exatamente em quê tem fé?
Sabemos-lhe o nome, mas e os de outros povos, outros nomes?
Pronto - são o mesmo. Um só.
Mas isso não resolve o certo e errado,
só tenta anular as diferenças.
Falemos sobre o que pensamos, e veremos
como somos diferentes. População. Povo.
Pessoas. Aqui não há regras, ainda.
Ou há, só que bem naturais. Depois vêm
outras regras, civilização, distinção, variedade,
luxo, apuro nos detalhes da aparência, e
se chega a impô-los sobre todos os
tecidos do organismo, quando uns são
mais ventilados...
Toda espécie é feita de variação.
Espécies sem variação morrem cedo.
Cultuemos a diversidade: ou o
politeísmo, ou nada - quero dizer,
tudo: - Matéria, energia, espaço,
tempo, espaço-tempo, anti-matéria (matéria
escura), anti-energia?, origem, fim térmico,
a-infinidade-de-big-bangs (no tempo de um
só (buracos-negros); no hiper-espaço, feito
espuma), consciência (self), linguagem (self),
sentidos (self), corpo (self), mente (self),
corpo-mente (= self), sonhos, alucinações,
paraísos artificiais, vida...

sociedade = humanidade

Wednesday, October 01, 2008

A fé

A fé é feia. Bonita é a dúvida. Lindo é saber. Só na dúvida há razão e espaço para saber. Ainda que reste sempre um vestígio de fé (viaja-se de avião por exemplo, mesmo sabendo que caem), a fé costuma ofuscar a visão. É a ausência da argüição, do teste, de inquirir-se sobre a própria verdade, sobre a verdade do mundo e de si, sem preconceitos nem dogmas. FÉ = não saber discutir.

A beleza

Natureza, em primeiro lugar. Nada artificial pode comparar-lhe. Depois, a simplicidade, que sirva a mesma função com menos; mas, ao mesmo tempo, a exuberância, o ser-se todo, completo, rico, como o máximo esperado para aquela natureza. E talvez por fim a inteligência, a coragem a curiosidade e os talentos. Por que não a força? Sim. Também a força.

Perda de biodiversidade

Fé é oposto de dúvida. A fé em Deus cria tantas dúvidas a mais (ao mesmo tempo em que destrói milhares de possibilidades). Para que Deus serve? Quem inventou Deus? Quem colocou Deus na brincadeira? Para que serve essa invenção colonizadora? Ou melhor, o que ela faz? O que modificou no comportamento de bandos de primatas pré- ou recém-históricos? Os pacificou? Os denegriu? Os civilizou? Verticalizou impérios? Não, os planificou! Deus permite o crescimento e o domínio dos impérios, é mais ou menos isso. --
Não. Não se matam deuses facilmente. E, no entanto, foram mortos aos milhares. E hoje ainda são.

O que são o bem e o mal?

O que é isso que essas palavras tentam descrever?
Se olharmos para o mundo animal, veremos que cada espécie tem seu próprio bem e mal, ou seja, boa sobrevivência versus má sobrevivência. Para nós, isso se chama satisfação, mas pode se chamar também aparência saudável, vigor físico, mental (ou espiritual) - isto é, todos os sinais de que o organismo encontrou um ambiente onde pode exercer livremente seus instintos e se sentir completo, satisfeito, realizado.
Assim, se para uma bactéria o bem é um certo pH e os nutrientes certos, para os seres humanos vai até os instintos de mamíferos sociais de grande porte, cujas necessidades:

I - são cada vez mais caras
ou
II - são cada vez mais acessíveis

O que você escolhe?

Friday, September 26, 2008

Quem?

Qual eu? Meu eu. Eu?
Eu quem? Eu-eu ou eu-eu?
Eu-Eu? Eu? eu?
eU? EU?
como?
nós
É, talvez nós seja
sempre melhor.

Sim, alguns homens perseguem o mito de Hércules, outros o de Sócrates, outros ainda de Platão ou Aristóteles. Mitos! Mitos!

Prefiro Hércules a Zeus,
cabras a pastores
ovelhas a rebanhos
prefiro a sorte à morte
e a morte à Deus.

Não nos atropelem
não se atropelem
não atropelemo-nos... nos... nos...

nestes rios de âmbar.