Thursday, June 15, 2006

Dedos

Seus dedos lindos numa jarra. Serviram-me-te fria, para sempre preservada em formol. Pude ver teus dedos doces e as unhas meigas, rosadas. Deixei o vidro sobre um canto e olhei pela janela. Nova fila se formava em frente à estranha construção. Não posso interferir agora, não diretamente - mesmo sabendo que estes também estão perdidos. Como a linda e adorável proprietária dos belos dedos aqui expostos.

As almas caminharam em bando, uma manada que esperava. Chegaram à entrada do edifício formando uma longa fila que se despedia sem saber.

Algum tempo depois a foice baixou, cortando as vidas pelos pescoços, pelos ideais, inúmeras, centenas, duas incontáveis centenas de jovens entre 18 e 25 anos morreram.

A guerra. Qualquer uma e todas elas. A cruel (e necessária) guerra.

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