Sunday, November 19, 2006

Bush 2

Não sou a favor de nada do que o Bush Jr. tem feito.

Mas sou a favor de um intervencionismo, talvez utópico, de uma nação que respeita mais a igualdade, os direitos humanos, em outro que não os respeitam.

Quando fiquei sabendo pela primeira vez que as pessoas não tinham liberdade de expressão do outro lado do mundo, pensei: se eu vivesse lá eu deveria guardar um eterno segredo de meus pensamentos radicais, ou morreria. Em meu país tenho a liberdade de ser diferente, e certamente minha vida seria muito pior sem ela.

Hoje em dia talvez se possa dizer que a maioria das pessoas não tem nada de diferente. A maioria no Brasil é composta de homens e mulheres que se casam entre os 20 e 30 anos, têm filhos, o homem joga uma pelada no domingo, às vezes nos outros dias, as mulheres assistem novela, os homens assistem o Jornal Nacional, ou qualquer outro, jantam, rezam e dormem. Imagino que esses cidadãos médios das metrópoles nunca sentiram o grande medo, um pavor misturado com angústia, por imaginar que poderiam morrer apenas por serem eles mesmos, caso tivessem nascido do outro lado do mundo. Então acho que algumas intervenções podem ser boas.

Mas hoje a palavra de ordem é paz, é não-intervencionismo em outros países, nada de ocupação, só porque a ocupação do Bush é ilícita e imoral. Fosse a sua ocupação apenas para defender os direitos de mulheres, livres-pensadores, homossexuais, minorias étnicas, eu estaria com ele.

Mas a questão que coloquei no outro post (que, pra variar, não foi questionado) é bem outra:

1) se fôssemos nós a grande potência mundial, certamente estaríamos invadindo o Iraque. Nossa polícia mata brasileiros pobres, por que nosso exército não mataria israelenses? Não mata porque não tem poder pra tanto. O ser humano, visto de longe, sempre foi o contrário do ideal cristão, com Cristo ou sem ele.

2) Da mesma forma, se os donos do poder fossem árabes, também meteriam seus dedos em outras partes do planeta, como sempre fizeram Portugal, Inglaterra, Espanha, China e todo o mundo.

Li o artigo de Lawrence Wright, "The Master Plan - For the new theorists of jihad, Al Qaeda is just the beginning" [O Plano Mestre - Para os novos teóricos da guerra santa, Al Qaeda é apenas o início], na New Yorker de 11 de setembro último. O autor argumenta que o objetivo de vários grupos "terroristas" é tomar o poder em seus países, alguns deles com o suposto objetivo de acabar com a opressão de seus governos absolutistas. Contudo, valem-se dos mesmos princípios do Islam, interpretados da maneira ortodoxa - e discriminatória - por muitos de seus ideólogos. Também na Colômbia grupos radicais, "terroristas", como as FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - querem tomar o poder, ou sou eu quem penso que querem isso? Parece que querer tomar o poder é comum em todo o mundo, menos no Brasil, onde acho que seria mais útil.

Voltando ao Oriente Médio, qualquer parte do mundo um dia pode estar no poder. Todo império se expande para depois cair. Quem seguirá os EUA? A União Européia? A China? Teria o Oriente Médio uma chance? Com certeza sim, muito mais do que a América do Sul ou a África, as "latas de lixo" geopolíticas, que não têm outra escolha senão copiar o modo de vida, as roupas, o cinema, a música, ensinar a língua, usar a moeda e depender das importações e exportações do dono da festa.

Então, após a queda dos EUA, que talvez seja assistida pelos que hoje têm menos de 30 anos, como eu, seremos forçados a aprender qual língua, qual religião? Poderemos nos transformar numa nação de metade budista, dependentes do mercado chinês, ou incorporar o fundamentalismo religioso do Islam - se não tivermos a sorte de cair nas mãos de um general moderado.

Por hora, ainda prefiro o Bush.

2 Comments:

At 8:53 AM , Anonymous Daniel Dias said...

O que um mais tento entender é como vive uma população inteira sem se basear em constituição, mas apenas no livro sagrado.

Imagine-se vivendo assim: só vale, só é levado em consideração, só se julga e se pune através do que está escrito nas escrituras...

E o pior, não pode haver alteração alguma.

Só não se esqueça que, se fosse aqui no Brasil, pensaríamos em abandonar nossas liberdades para trocá-las pelas limitações que poderiam ser impostas.

Lá, ao contrário, eles foram criados durante gerações, durante milênios, sem saber o que é, o que significa, e pra que serve, liberdade. Já vi fotos com gente segurando cartazes escritos abaixo a liberdade, viva o islã!

E continuo viajando em como é a mentalidade desse povo. Relativamente, em qual século ocidental eles vivem? Idade média?

Nem tenho conclusão pra isso que eu escrevi.

 
At 8:16 PM , Blogger Rodrigo said...

Realmente, a falta de liberdade pode ser uma boa quando a sociedade toda vive melhor, mas falei do ponto de vista das minorias: se aqui, que é "democrático", elas só se fodem, imagina lá. Quem carregava esse cartaz era algum reacionário, o equivalente a um PSDBista da elite de SP, digamos, carregando um cartaz "abaixo a igualdade social, viva a Daslu!"

E duvido que hoje eles ainda desconheçam o que acontece por aqui. Pelo menos não tanto.

 

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