Friday, June 03, 2011

Propaganda pra quê?

Pensando em todos os males atuais, cheguei a uma conclusão que deverá parecer surpreendente a muitos: combater a propaganda me parece uma medida urgente.

A propaganda:
- é intrometida;
- não substitui, quero dizer, é pior que a avaliação pessoal do usuário;
- diminui a auto-estima dos que têm seus desejos atiçados, mas cuja situação financeira não os permite usufrui-los;
- estimula/forma hábitos que não foram concebidos em favor da coletividade;
- ao acelerar a taxa de conversão de recursos naturais em bens industrializados, aumenta a concentração de riqueza e poder.

Quanto aos seus supostos pontos positivos (que poderiam ser alcançados com um pouco de planejamento social):
- aumentam a margem de escolha do consumidor. FALSO. A propaganda tende a fortalecer a imagem de empresas maiores, que investem massivamente em mais propaganda. A fusão de empresas e concentração de capital não pára. Trata-se portanto, de mais um lado negativo;
- é artística, exibe criatividade. FALSO. A criatividade é inibida quando é contratada pela sua "utilidade" (o mesmo não se pode dizer do rigor técnico, mas arte é criatividade, não perfeição técnica). Se propaganda lembra arte, é apenas porque a arte está trancada em museus esparsos;
- informa sobre novidades. Isso é verdade, mas é bom? O custo de aplacar o tédio tem sido aumentar o tédio das futuras gerações (arriscando, inclusive, dizimar populações inteiras de fome num futuro não mais tão distante).

Aguardo razões pelas quais deveríamos aceitar tanta propaganda.

PS1: o Google se tornou o primeiro site mundial de buscas sem gastar um tostão com publicidade, apenas por ter um produto superior.

PS2: acabar com a propaganda não deve ser visto como acabar com o capitalismo, a propriedade privada, a família, etc. Acabar com a propaganda deve ser visto como melhorar a qualidade de vida e a qualidade dos produtos.

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