Sunday, November 18, 2007

Ótimo e péssimo

Deus está morto.

Deus está morto mas não estamos sós, porque nos agrupamos contra o pessimismo.
Deus é o otimismo; o diabo, o pessimismo.
Melhor pensa aquele que se afasta de ambos e procura ser realista.
Contudo, a realidade parece estar mais próxima do pessimismo.
Talvez por isso as pessoas busquem conforto no otimismo.
Talvez por isso as pessoas busquem conforto em Deus, deuses, religiões.
Talvez por isso as pessoas temam os agnósticos, ateus e toda sorte de excluídos.
Talvez por isso as religiões tenham identificado a Terra com o diabo, a realidade com o mal; o terrestre, o corpo, as sensações mundanas, prazeres e dores, com o terror na forma do abstrato; o bem divino com uma vida futura inexistente, fantasiosa e escapista. Apenas em nome do otimismo, essa fórmula do sorriso fácil.

O que percebo é que o mundo tem muitas cores, mas as pessoas só querem ver aquelas que as deixam felizes.
Pintam tudo de vermelho, ou de azul ou amarelo, e atiram pedras nos que se vestem de verde, preto ou branco.
O ser humano adora atirar pedras.
O bem que a igreja pretendia, que as religiões pretenderam, foi só um bem para alguns, um bem para poucos.
Mas seus exércitos eram tão fortes que fizeram a maioria acreditar que seriam pessoas melhores se fossem como esses poucos.

No fim das contas, o otimismo travestido de Deus apenas encobre a realidade, afasta-nos da realidade, e assim afasta-nos das soluções para os problemas da maioria.

Ao mesmo tempo, o otimismo travestido de política encobre a realidade, disfarça os esquemas, chama de progresso e desenvolvimento o que no fundo é apenas álibi. Ninguém quer crescimento, todos queremos paz. Só quem quer o crescimento é quem dele lucra, empobrecendo os demais.


Quantos não são cevados apenas para receber a fúria de seus senhores? Ou sua luxúria? Afirmar isso não é negar a bondade, mas a bondade é escassa onde abundam os frutos, pois o excesso, quando nasce na mão de poucos, estimula a vontade dos excluídos, e nada fere mais o bom humor dos poderosos quanto a aproximação dos famintos. Assim, cevam seus súditos apenas para colher-lhes o sangue na forma de dinheiro.


Quanto mais otimismo sobre a Terra, menos as pessoas verão a realidade. Quanto mais permitirmos a proliferação das religiões, da política como a conhecemos hoje, da mídia dependente do grande capital, partidária e aristocrata, menos podemos esperar de um otimismo sincero e realista.

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