Wednesday, April 11, 2007

Os caminhos da Ética

Deseje aos outros o que você quer para você mesmo. Se queres riqueza, distribua a riqueza que houver entre todos, da maneira mais igualitária possível. Não há outra solução para o mundo de hoje. A violência, que na TV é apenas questão de policiamento e construção de penitenciárias, é um problema de desigualdade. Isso todo mundo já sabe, mas não quer ceder seus pequenos confortos, em troca da tranqüilidade.

A humanidade urbana perdeu a tranqüilidade de espírito, do corpo, da consciência. Perdeu seu equilíbrio, aquela serenidade que conhecemos dos antigos guerreiros, os assim chamados "índios", os antigos mocinhos do faroeste. Hoje somos trêmulos e doentes, preguiçosos e acovardados. Há quem prefira a proteção do governo. Há quem goste da própria proteção. A diferença é que os primeiros têm renda, posses, justamente o que querem defender dos segundos, ou melhor, daqueles dentre os segundos que façam mesmo questão de ter algo que terão de proteger depois. Preferem pagar um governo corrupto para ter algo mais que a multidão.

Mas há quem não queira proteger nada, a não ser a si próprio, e ainda assim, mais ou menos. Esses são andarilhos e sonhadores, os antigos idealistas, hoje chamados homens e mulheres das alturas, loucos, divagadores, inúteis ou, no mínimo, curiosos. Mas que ideal pode haver para o futuro? perguntam aqueles primeiros, os que preferem o governo e a lei. Prefiro pensar em como pode ser o mundo daqui a vinte, até cinqüenta anos, e trabalhar nisso. Apenas para manter a sanidade.

Os caminhos são poucos, parecem poucos. Retirem a TV da sala, e eles se ampliarão. Substitua a TV por uma estante, e busque livros para preencher o tempo, quando a família te cansar. Saia de casa.

Chegamos a uma época em que as pessoas não saem de casa porque é "perigoso". Qual o perigo, na maioria das vezes? Perder seus bens. Seu carro, seu relógio, sua virgindade. Tudo bem, mulheres são um pouco menos autônomas, mas a mente se prende às posses, mais que o limite do saudável. O que é Ética, então? Valorizar mais as pessoas que os produtos. Vivemos num consumismo medonho, e não nos damos conta que os brinquedinhos modernos só são acessíveis para uma minoria, que polui, suja e destrói o que era, até então, o único lazer que a maioria pobre tinha. Agora, não têm nada. E ainda assim achamos que o celular do rico vale mais que a vida do pobre. Não importa quem morra, sempre serão números. Um garoto foi arrastado por um carro, vários são arrastados por camburões, nem todos inocentes. -

Ética, hoje, deve significar não querer tanto para si o que outros não têm nem muito menos.

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