Friday, February 22, 2008

Libelo anti-espírita

O espiritismo é apenas um "ramo" dentro da árvore do cristianismo. Um ramo que se diz o ramo verdadeiro.
O cristianismo é apenas um "ramo" dentro da árvore das religiões. Um ramo que se diz o ramo verdadeiro.
As religiões são apenas um "ramo" dentro da árvore da vida. O ramo que se diz o ramo verdadeiro.

Eu estudo a árvore inteira, a árvore da vida, com ramos de conhecimento como as religiões, a filosofia, as ciências, a história, as outras culturas. Dentro do "ramo" religião, eu estudei o espiritismo e o cristianismo com maior profundidade, por serem minha origem. Mas estudei também o agnosticismo, o budismo e o hinduismo, o suficiente para ver que há profundas diferenças entre estes e aqueles. Estudei ainda parte bem pequena das mitologias grega, yanomami e desana, e vi que também são muito diferentes.

Quem criou o Universo? Deus? Deuses? ETs? Não sabemos. O "ramo" religião afirma que sabe, mas os outros ramos dizem que não sabemos, e que muito provavelmente nunca iremos saber. De qualquer forma, qual a utilidade da pergunta? Quem ou o que teria criado essa "coisa" que teria criado o Universo? E o que a teria criado? Não há fim. O mistério é impenetrável. O que ganhamos dando-lhe um nome?

Quanto ao que seria Deus ou o universo, e principalmente, quanto ao que acontece após a nossa morte, cada "ramo" dentro da religião diz uma coisa. É ilógico que estejam todas certas. Por exemplo, no espiritismo a consciência se mantém após a morte, ou parte dela. No budismo, a consciência se dissolve no Nirvana. Voltamos a nos integrar ao todo, a individualidade desaparece. Podem ambos estarem certos? Talvez, conforme nossa crença. Quem sabe ao certo?

Mas aí reside um problema.

Há um "ramo" a mais da árvore da vida, e que é fácilmente observável: todos temos sonhos. Somos felizes se conquistamos nossos sonhos, e somos infelizes quando não conquistamos, geralmente. O espiritismo busca levantar a moral dos que não conquistaram seus sonhos, dizendo que teremos outras chances, outras vidas, inúmeras. O que importa, então, realizarmos nossos sonhos? Não importa tanto. Não importa nada. O que importa é elevarmos nosso espírito, tornarmo-nos pessoas boas (dentro do que o cristianismo define como bem, parece), e olhe que temos a eternidade inteira pela frente. Não há pressa.

O budismo, por sua vez, é mais prático: se tens um sonho que não alcança, abandona-o, ou sofre. Nada é dito sobre o invisível. Seu núcleo é a realidade. É a árvore toda. É o que pode ser visto sob a luz do dia por todos, na praça da cidade, no fórum, na assembléia. Está acima da dúvida, é material e imediato: desejando, realiza ou sofre. Sofrendo, tenta não desejar. Nada de fantasmas acessíveis só aos "escolhidos". O budismo se interessa pela árvore inteira, ele não se estranha com a filosofia, a filosofia não o contradiz. A filosofia incorpora o budismo como uma sabedoria viável, porque honesta. E a filosofia vê o espiritismo como uma religião, ou seja, como algo em que "se deve" acreditar. Sem a "crença", essa sabedoria, esse "ramo" não produz seu efeito, não gera seu fruto. A filosofia gera seus frutos independente de crença. Não é preciso crer, nem forçar nada. E os frutos da filosofia são mais saborosos que os frutos do espiritismo, do cristianismo e da religião. Como, mais saborosos? E acaso provaram dos outros frutos da árvore?

Ou vão morrer adiando as palavras certas com as pessoas certas, por terem a eternidade à disposição? Não é o que acontece na prática?

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