Friday, June 12, 2009

Manual de religião - leia antes de usar

As pessoas devem ser enfraquecidas, seu vigor físico e intelectual, drenado. Devem ser doutrinadas a manter famílias estáveis, seguras, duráveis, para que crianças possam ser geradas, ainda que inseguras, ainda que seus porquês não possam ser respondidos, suas dúvidas iluminadas.

"Engula a pílula da felicidade e não pense demais."

Deve haver uma força superior insondável, insípida, fugidia, ou os barões precisariam estar sempre se explicando. Deus deve ser um mistério, e a filosofia deve ser abolida. Nossas mentes são limitadas: ou entendem a filosofia ou aceitam um simulacro, uma máscara, uma farsa com final feliz.

Saber perguntar é uma arte e uma ciência que leva décadas para cultivar. Mas se você joga veneno num cérebro em formação essa habilidade não se desenvolve. "Deus" é este veneno.

No politeísmo há espaço para várias interpretações. No monoteísmo não - só há um livro em cada região geográfica - e isso basta para dividi-las.

O monoteísmo é a monocultura do espírito. Um espírito acostumado à monocultura não se espanta em ver a beleza viva e a diversidade serem destruídas - para gerar mais crianças e ver realizados seus pequenos sonhos burgueses, sem nenhuma visão de comunidade, de "fisiologia da sociedade", muito menos múltipla e diversa como a espécie inteira. O Homo sapiens como um todo, e toda a vida - é isso que deve ser sagrado.

Um Deus único é uma invenção bem localizada no tempo e no espaço. Seu papel é dividir culturas e garantir que não se entendam mutuamente.

"Deus" é uma pequena caixa opaca que não deixa ver o que há fora, sejam estrelas, flores ou sentimentos. Mentira sobre mentira pintado de um falso branco da "paz". Mas a ignorância, o preconceito e a intolerância continuam - o que mais se pode dizer? - graças à idéia de Deus.



Para que mais crianças?

1) Porque precisamos de mais consumidores e mão-de-obra para as indústrias - isto é, para a nação?
ou 2) Porque a religião que exige crianças consegue ocupar cedo tais mentes inocentes, em maior quantidade; e quanto mais tenra, quanto mais nova a mente ocupada, maior a garantia de que o medo dominará essa mente agora aversa ao conhecimento da ciência, filosofia e história, ao menos até a idade reprodutiva, e provavelmente durante o período crucial da educação dos filhos. Um ciclo vicioso. Daí o batismo ser necessário para "salvar o bebê inocente do inferno" (que DEUS seria ESTE?)

Nascemos ignorantes. A campanha religiosa é tão intrincada e forte, tão falaciosa e escorregadia, que é preciso muito estudo e uma considerável força de vontade para nos vermos finalmente livres (embora ainda uma minoria).

"Deus" é uma muleta psicológica que apenas adiciona variáveis à equação do conhecimento, sem contribuir para resolvê-la - serve apenas para ocultar a verdade, tornando-nos um rebanho ignorante, por isso mais dócil e manipulável. As sociedades mais pobres e menos autodeterminadas são aquelas onde o monoteísmo entra com menos dificuldade. As nações dominantes no capitalismo também se tornam a cada dia menos cientes de fatos importantes da vida. A ignorância ronda ambos, ricos e pobres, crentes e descrentes. Há mitologias que podem nos ensinar o que falta, mas elas são muitas e estão espalhadas entre povos onde até agora não se tem procurado.

Fé - Eu tenho fé em que um dia deixaremos de usar muletas e deixaremos de aceitar que o ser humano deva ser fraco, medroso, ignorante, pequeno e mesquinho - porque não somos assim. Tornaram-nos assim culturalmente através de um longo processo histórico que não ensinam nas escolas, mas que podem ser encontrados nos livros - não na Bíblia ou no Corão, naturalmente - e até mesmo à nossa volta, nessas partes do mundo ainda menos afetadas pelo contágio.

O instinto da curiosidade está aí e renasce a cada geração. A mudança está mais próxima do que se imagina.





Ciência e religião

Ciência e religião não se misturam? Ótimo. Portanto, a religião nada tem a dizer sobre a vida, uma vez que existem ciências da vida. Nada tem a dizer sobre o aborto, pois o estudo da gravidez, dos sentimentos e necessidades da mulher grávida são parte dessas ciências, assim como o estudo das populações humanas, da demografia, das necessidades alimentares, do consumo e escassez de recursos, entre tantos outros. A religião nada tem a falar sobre sexo, pois aqui também a ciência tem muito a dizer.

Religião e ciência são métodos, e não precisam mesmo se misturar.

Aparentemente, religião vem da palavra religar, reunir-se, enxergar e presenciar o todo. A diferença maior parece ser que algumas religiões (justo as monoteístas) têm conceitos bastante peculiares, como culpa, pecado, salvação e medo. Outras (ateístas e politeístas) buscam anular o medo.

Enquanto há medo, podemos dizer que estamos "religados"? Ou o medo é um sinal evidente de isolamento e individualidade? Temer a "Deus" ou temer àqueles que falam como que "por procuração"? Alguém já ouviu Deus falar? Qual a diferença entre isso e a imaginação?

Os países e povos onde o monoteísmo domina a "opinião pública" não parecem ser os mais individualistas? De tão acostumados a adaptarem os fatos às teorias (e não o contrário), não são esses mesmos povos e países tão preparados, e talvez até ansiosos pelo advento do Apocalipse? Não é este o seu "final feliz"? Não é o que se anuncia a cada dia, como que para "preparar-nos ante o inevitável", enquanto apenas alguns poucos buscam efetivamente combatê-lo?



Espiritualidade

Eu faço parte do Cosmos, como o Cosmos faz parte de mim. Eu sou o Cosmos, o Cosmos vê e adquire consciência através de mim.

A minha vida afeta e é afetada pelas vidas dos outros. Amor é parte da natureza humana e não pode ser ensinado. Se alguém exorta os outros a amar, isso é amor ou obediência? É amor ou medo? "Amar, verbo intransitivo." Talvez respeito possa ser ensinado.

Respeito é discussão.

Discussão é deixar o espírito nu e questionar a verdade. Indagar e ser o mais honesto possível na resposta. Respeito é pensar no próximo e no longínquo. É não falar anonimamente, nem aceitar conclusões precipitadas. Deus É uma conclusão precipitada. Deus é apenas parte da resposta, jamais ela inteira. Deus e Alá não são o mesmo - suas "leis" (ditadas por pessoas falhas e tendenciosas) são diferentes. Shiva, Brama e Thor não são os mesmos, nem Apolo, Minerva, Júpiter, Afrodite ou Baco (nem ditam leis, apenas assopram sugestões. Mitologia, folclore, conhecimento).

Matou-se tantos deuses, pela glória de "um só", e não sabemos nem seus nomes.

"Um só Deus" = monocultura do espírito = criar pessoas para ocuparem caixotes de olhos fechados.

Matar faz parte da natureza humana; preservar a vida também.
Buscar conhecimento faz parte da natureza humana; a coragem e a covardia também.

Entender a natureza humana é respeitar-nos. Isso só pode ser alcançado pela discussão, honesto consigo e com os outros. Tapar tudo isso com "Deus" é tentar tapear-nos. Chega de tapeação. Monoteísmo, seu tempo na Terra acabou.



****
(pensamentos desfiados)


discussão = busca da verdade = paraíso
(idéia retirada de "Os Versos Satânicos" - livro esclarecedor que garantiu a seu autor a pena de morte em um certo país monoteísta)

Buscar a verdade é o paraíso. Mas o que é a verdade? Qual verdade? Que temos chamado de verdade?
A verdade física, o mundo em si? (Conceito proposto por Aristóteles, ao qual nada mais temos a acrescentar.)
Ou a "verdade de cada um", o oceano de mentes e pontos de vista, vasto e inescrutável oceano não de fatos nem de verdades, mas de interpretações parciais que, somadas, constituem o melhor que podemos fazer em direção ao conhecimento.

Acreditar é fugir da arena da razão, da trilha do conhecimento. Um povo sem conhecimento é como o gado na fila do abate - não tem alternativa, não tem escolha - não tem opinião.

Onde chegamos, quando estabelecemos como teto uma "verdade" tão parcial e simplória quanto um Vertebrado Gasoso?



Se você é crente, considere-se vítima da sua igreja. A verdadeira espiritualidade se sente, se sabe - não se "acredita". Entre acreditar e não acreditar, é melhor saber ou esperar.

Monoteístas são ateus para todas as outras divindades já inventadas.

Monoteístas são vítimas deste tipo peculiar: que defende seu algoz.

Acreditar em fantasmas não é problema - problema é acreditar/valorizar mais os fantasmas do que a realidade. E trazer, por ignorância, mil preconceitos atrelados a esses fantasmas. E fugir sempre da discussão. Se os seus velhos são assim, não permita que seu vício seja transmitido às crianças, a não ser que deseje ver o milenar ciclo vicioso da prisão do espírito se perpetuar...

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