Saturday, May 01, 2010

Falsas medidas, falsas esperanças

Tem-se medido o ser humano não por aquilo que é, mas pelo que pode tornar-se. Isso quando se mede alguma coisa.

Os valores mais caros hoje são a individualidade, mais até que o dinheiro, que vem em segundo lugar. Dinheiro é ótimo, mas melhor que dinheiro é você cuidar da própria vida, ser independente, único, um: é nisso que se insiste. Na propaganda de automóveis nunca há um congestionamento, só um carrão e mãos brancas a dirigir por uma estrada deserta e limpa. Asfalto para carros da cidade, terra para os off-road, jamais uma cidade de verdade, nem uma região rural de verdade, nem um congestionamento de verdade. Nenhum ônibus, nada público, mútuo, comum.

O que mais pode o ser humano tornar-se? Não apenas corpo individual, mas pensamento individual. Religioso ou ateu, simples ou sofisticado, cada um em suas idéias, livre para navegar, mas sem nada para aprender ou ensinar. Sem nada para compartilhar. Apenas crime e entretenimento, o primeiro a nos manter confortavelmente trancados, o segundo a massagear nossas imaginações estéreis.

Ouço seu tom de voz e percebo quantas vezes ele sobe alguns Hertz. De mi para fá, de lá para dó, de ré para sol, oitavas inteiras - silêncio, serenidade, sentimento e ternura, o ritmo da Terra, nuvens, estrelas, quem os observa? Ninguém! Apenas o ritmo do zumbir elétrico, mecânico, eletrônico, ondas eletromagnéticas para transmitir informação alguma: Estou aqui, agora estou ali; mas meu pensamento não se aproxima de nenhuma fonte pura. Nenhum lugar onde o corpo pare e relaxe e se lembre da maravilha que o mundo é, ou foi, ou ainda é, menos e menos.

É tudo questão de ritmo. Viver em ................... é mais fácil que viver em ._._._._. ou ainda em ._____._____._____._____. ? Por que busca-se mais e mais do mesmo ao invés de se explorar as raízes profundas do que somos? Por que insistimos em satisfações cada vez mais efêmeras, em prazeres redundantes, em luxos sem sentido, mesmo sabendo que tudo isso não é o que procuramos? Pior, sabendo que tudo isso está destruindo aquelas belezas naturais que poderiam nos devolver o sentido esquecido? E por que não procuramos o que realmente faz sentido? Por que se viaja tanto para a Europa e tão pouco para a Amazônia? Tanto para os Estados Unidos e tão pouco para os poucos locais onde o povo ainda vive feliz perto da natureza? O que temos a aprender com sociedades industrializadas cujos cidadãos não são felizes, nem de longe tanto quanto os marginalizados que ainda sabem sorrir? Cantamos essas belezas nas canções, mas sabemos senti-las em nossos corações? Por que se diz acreditar numa religião que prega a evolução moral e espiritual e o desapego aos bens materiais, quando na prática se busca estar perto dos ricos, e não da verdade?

Será que houve alguma época onde a hipocrisia se fez mais forte do que hoje? Com tanta informação, o que é sensato se diluiu, e a desonestidade tomou o lugar da ignorância. Maus tempos, podemos pensar, mas nós fazemos o tempo, não apenas com palavras e atitudes, mas com posturas e pontos-de-vista. Adiante-se, modifique-se e sirva de exemplo. Cada um faz uma pequena diferença.

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