Monday, October 30, 2006

Incenso

Na varanda ouço o rio, fico quieto.
Podem suceder coisas tão nobres à minha volta
mesmo estando eu quieto
(sem querer causá-las).

O crescimento das árvores é tão mais quieto
que elas nem parecem ter que segurar-se
desse riso que me é dado
de ter achado outrora
outras coisas, outras glórias
mais prementes, mais notórias.

Ainda assim, insisto, fico quieto
mudo a rede, ponho a tela
que malária é coisa séria
volto ao rio, volto às árvores
e suas suntuosas paisagens.

Não perco tempo pensando.
Ganho observando.

No tempo das coisas, penso
tanto o pequeno e o imenso
no fundo, não passam de incenso.

14/X/2006 - alto rio Marari>Padauiri>Negro>Amazonas

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