Wednesday, December 27, 2006

Perfeição II (em busca da perfeição, na prática)

Desde o início ele nunca fez parte da praia. Quando o conheci, já conhecia a praia - que julgava perfeita - e meus sonhos de verão, das noites e dos dias, eram sonhos de personagens alegóricos, hipotéticos.

Cada pessoa real que conhecemos nos ensina mais. Mas não se trata de um ensinar didático, não é uma soma de conhecimento, é uma troca. Tiramos de um protótipo o que a pessoa não tem e adicionamos o que desconhecíamos - aquilo que normalmente chamamos aprendizado, o que ele ou ela tem, e que para nós é novidade.

Com o tempo, não avançamos muito, apenas ficamos sobrecarregados de protótipos, de comparações, de fantasmas que rondam a nossa cama para nos lembrar de como eram melhores nisso e naquilo, afligindo-nos com a culpa de jamais estarmos satisfeitos apenas porque sonhamos alto demais? E quem se importa com fantasmas? Os fantasmas, hoje, são as inúmeras possibilidades, mesmo de quem nunca conheceu ninguém, mas tem seus protótipos de outros lugares quaisquer, da TV, das revistas coloridas, da Internet, coisas recentes na história. Talvez a libertinagem seja um exorcismo do excesso de protótipos modernos, talvez seja a busca de um modelo mais humano, talvez seja a satisfação da curiosidade para que possamos um dia recostar a cabeça e dizer com orgulho: Nada me falta! Nada me é estranho! E olhar para o lado e ter certeza que aquela companhia foi escolhida entre mil, e com gosto.

Mas o tempo, oh! o grande arauto da escolha! Os anos passam, e são poucos os que melhoram com os anos! Se no início da busca tivéssemos nos dado por satisfeitos com aquele que, hoje, elegemos o melhor! Mas como! Como poderíamos eleger qualquer melhor sem conhecimento de causa? Não precisamos rodar o mundo inteiro para retornar para dentro de nós mesmos?

Certo está quem experimenta, mas seguro está quem escolhe. Se a questão hoje ainda é fazer escolhas. Ninguém quer envelhecer sozinho, ou ninguém quer envelhecer? Existe filosofia para o amor? Receita para a felicidade? Moderação, é claro, até na moderação!

Que os deuses me ajudem a conservar-me inteiro para mim e para o ser escolhido, e que me dê memória para o que eu encontrar pelo caminho, e sabedoria para comparar; oportunismo, humildade e confiança para escolher. E sorte, para olhar para o lado na hora certa, sem precisar olhar para os lados o tempo todo. Sorte, que o acaso é o deus maior, o mais cruel e o mais bondoso.

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