Friday, March 09, 2007

Não se engane, meu jovem, de acreditar que o mundo é tão vasto como dizem os livros de história. Os livros de história não são a História, mas só a versão de quem ganha as guerras. E as guerras são inevitáveis, ou sempre foram, então o que interessa mesmo é o presente. Como foi que chegamos até aqui? De onde viemos e para onde vamos? perguntas secundárias. O que fazer? eis a questão.

Não poderia também contar o segredo do mundo, ou vocês não acreditariam, ou talvez minha vida corresse sério risco. Mesmo sem eu saber. Prefiro então contar-lhes amenidades, preciosidades de quem viu o que não está na TV nem no rádio, nem nas bocas que insistem em dizer o desnecessário.






Indo direto ao ponto:

Existe um ponto? Eu, particularmente, estou acostumado com a geometria espacial, e gosto de ver nas coisas - planos -, no mínimo - linhas. Eixos.

O mundo é desconhecido da maioria dos homens. Alguns poucos aventuram-se em décadas e décadas de mergulho na natureza das coisas, de coisas mínimas, e tornam-se especialistas, e têm a resposta - ou não - para as questões que decidiram investigar. Mas quem tem a resposta para as questões que todos perguntamos? Quem bocejará amanhã, cansado da existência? Eu acredito que estarei tão curioso e insatisfeito como estou hoje, porque nenhum homem jamais conquistou nada, a não ser haréns e a capacidade de construir tumbas do tamanho de montanhas. E eu preferia pular de uma ponte que dedicar a minha vida a construir qualquer túmulo.

Sobram especialistas, e ninguém vê a realidade inteira, muito menos com olhos sensatos, úteis, vantajosos a não ser para si mesmo; o egoísmo ancestral. Sobram palpiteiros, sobra trabalho; uns empurram, todos empurram, poucos buscam resolver o que surge. Uma pedra no caminho, ou no sapato, e memorandos já são assinados. Enquanto os negros carregam o país nas costas. E em silêncio.


Então, há um ponto?

O futuro é um ponto, mas apenas porque projetamos sua existência futura como inevitável. Contudo, cada pessoa vê o futuro como um ponto diferente, dentro de um espaço, então é bom começarmos a nos entender, para podermos decidir melhor como será o futuro, o nosso futuro. Tudo aquilo dentro desse espaço. Precisamos, quem diria, olhar para fora dos nossos umbigos para salvar os mesmos umbigos...

E se não me der dois real no seu umbigo, eu pago a faca que comprei hoje.

2 Comments:

At 1:14 PM , Blogger Chico Prosdócimi said...

Socrátes teria concordado com vc ao dizer que não sabemos nada e que o mundo é desconhecido. Penso por outro lado, prefiro considerar que sabemos pouco, mas o que sabemos é substancialmente importante e interessante, tanto que profissionalmente seguimos nós dois em busca de maior compreensão sobre a natureza do universo e, em particular, do mundo biológico.

Algo que tenho me perguntado, inclusive e sobre esse assunto, seria se um sujeito com um detector de moléculas que passasse o tal detector sobre nós conseguiria nos identificar como vivos e dizer a um colega: "existe vida naquele planeta". Creio que isso dependeria do conceito de vida dele ser o mesmo que o nosso, algo que pode ou não ser verdade, mas eu acharia mais provável que não. Tenho a impressão que o universo deve estar cheio de outros tipos de vida sequer concebíveis para nós mas que nem por isso deixam de existir.

Acho que estou viajando e ainda bem que jamais me comprometi a seguir algum padrão fixo de comentário e, assim, me dou ao direito de viajar tanto quanto quiser e puder, obrigado.

John Lennon diria que o presente é aquilo que acontece quando planejamos o futuro e é realmente incrível o quanto as pessoas costumam a perder seus presentes planejando seus futuros. Não me excluo desse tipo de pessoa, precisamos sobreviver.

Lembrei agora de Walden II, aquela sociedade que o Skinner criou baseada no livro do Thoureau. Lá o futuro de todo mundo já estava um tanto quanto garantido, desde que as pessoas não tivessem tantas ambições e ambições. Assim, creio que eles podiam/poderiam aproveitar com mais vigor a vida presente, pois sabiam que jamais iria lhes faltar nada, nem emprego. A aposentadoria me parece coisa de preguiçoso mesmo, como já disse nosso amigo Fernando Henrique. Se todos fizessem o que gostassem de fazer, ó que utopia, para que precisariam de férias e aposentadoria. Que sociedade é essa que nós vivemos\ Que merda! O Chico Buarque diz que nunca tira férias, mas também a um aristocrata que deu sorte na vida, além de ter um puta talento, coisa que vários também tem e desperdiçam para ganhar mais dinheiro, bando de idiotas.

No mais, em breve haverá resposta lá na esquina... não desisti. []s!

 
At 4:07 AM , Blogger Rodrigo said...

OK, você venceu. Também não desisti.

Mas não disse que o mundo é desconhecido, mas que vários homens desconhecem o mundo. Alguns se tornam especialistas para conhecer algo, mas pagam um preço por isso. Prefiro saber um pouco de várias coisas (mas algo melhor que o resto), do que saber muito só de uma coisa, como muita gente por aí.

Acho que uma vida inteligente que chegasse aqui perceberia - sem precisar de detector de moléculas - que há vida aqui. Tipo, quando vc procura algo que não sabe o que é, mas tem certeza que vai reconhecer quando encontrar.

Talvez hoje John Lennon dissesse que a vida é o que acontece enquanto estamos no escritório ou no laboratório.

Mesmo gostando do que faço, é bom ter férias, pois gosto de milhares de outras coisas que não tenho tempo para fazer.

Flw!

 

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